CASO MARCELA: A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER PRECISA SER DISCUTIDA

O patriarcado ainda deixa fortes heranças na sociedade brasileira contemporânea. A mulher que abandona o marido, a solteirona, a divorciada é sempre a culpada mas quando o homem faz isso não recebe os mesmos olhares julgadores. O homem acredita que pode fazer o que bem entender e que as decisões e vontades devem servir a ele. A mulher perde voz, é sufocada em uma sociedade marcada pelo machismo em que, se o homem teve alguma atitude violenta, foi porque ela fez algo de errado. 

A violência doméstica contra a mulher se esconde por detrás de convenções sociais: “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. A sociedade se cala quando vê as violências mas se comove quando já é tarde demais. A barrosense Marcela Alves, 27, foi mais uma calada de forma brutal pelo “companheiro” quando foi baleada na cabeça, na madrugada da terça-feira, 8, no Bairro Guimarães, nas proximidades do Bar do Tadeu. A suspeita é que, Gleyton de Jesus Lopes, 34, não aceitava o fim do “relacionamento”. 

O Ministério da Saúde diz que a cada quatro segundos uma mulher é agredida no país. Segundo a Comissão da Mulher, foram notificados 68.811 casos de violência contra elas, destacando-se cinco formas principais: importunação sexual, violência online, estupro, feminicídio e violência domésticas. A maioria dos agressores fazem parte do grupo familiar (maridos, namorados, ex companheiros).

A psicóloga Mística Mello diz que nos últimos anos o tema tem sido mais debatido mas ainda necessita de avanços no suporte de órgãos públicos e capacitação de profissionais para atender a mulher. ”A mulher que vive em situação de violência necessita de atenção integral nas áreas psicológica, social, jurídica, de segurança pública e saúde. O primeiro passo é que as mulheres tenham noção de seus direitos, ou seja, é necessário informá-las quais são e aonde ir para os exigir”, comenta.

Mello ressalta também que os profissionais da rede de assistência social têm um papel fundamental no enfrentamento à violência contra as mulheres, pois são, geralmente, os primeiros a atender a vítimas. Os profissionais de saúde também desempenham um importante protagonismo pois são eles que encaminham as vítimas aos CREAS/CRAS/Conselhos Tutelares, Saúde Mental conforme as especificidades de cada caso além de a orientar a registrar ocorrência em uma delegacia comum ou Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher.

O meio de atendimento à mulher vítima de violência é o 180. Além deste, casos de violação dos direitos humanos das mulheres também podem ser atendidos pelo Disque 100.

Foto: Senado Federal