JULIO CÉSAR ARISTIZABAL

Julio Cesar Aristizabal, aos 30 anos, divide sua vida em dois grandes movimentos: a arte e a capoeira. Sua trajetória teve início em Medellin, Colômbia, onde o artista se dedicou a representar toda a complexidade do universo latino americano a partir de seus traços.

Formou-se em designer gráfico em sua cidade natal, entretanto não quis se limitar à mercadologia imposta pela profissão. Se aventurou então no curso de Bellas Artes, o que proporcionou que o artista pudesse se aprofundar nas técnicas clássicas do ramo, como a pintura, gravura, etc.

O desejo de conhecer as raízes da capoeira e novas culturas artísticas, motivaram Julio a embarcar para o Brasil. Morou em Belo Horizonte e logo depois se mudaria para a cidade onde reside atualmente, São João del Rei. Vislumbrou na UFSJ uma oportunidade de dar continuidade aos trabalhos e aprendizados acadêmicos que já realizava na Colômbia, por se tratar da única Universidade pública do país que oferece o curso de Artes Aplicadas com processos que envolvem cerâmica.

O desejo de conhecer as raízes da capoeira e novas culturas artísticas, motivaram Julio a embarcar para o Brasil

Julio se destaca por suas habilidades em desenho, artes plásticas e pintura de rua. Já teve seu trabalho exposto em diversas localidades: Bogotá, Medellín, Museu de Arte da Pampulha, Palácio das Artes, etc. Em São João del Rei, participou de um dos maiores festivais da região, o Inverno Cultural. Hoje, se dedica ao Projeto “Oficina da Capoeira” uma entidade social, sem fins lucrativos, que tem por objetivo a promoção e a divulgação da cultura afro-brasileira, especificamente a capoeira.

O hermano define sua arte como um mecanismo revolucionário de comunicação, diálogo e protesto. “A pintura não é só uma ação de pintar por pintar. Tem muita fundamentação pra fazer esses tracinhos de muitas cores. Falamos sobre questões raciais, arquitetura … é um universo muito amplo”.

O homem que arrisca um portunhol e é apaixonado pela diversidade que o mundo possui, orgulha-se do trabalho desenvolvido até aqui e pretende consolidar o projeto em que está envolvido: “Esse trabalho não é só pra mim. Deixo como uma forma de gratidão Brasil e a São João. Se estou a contribuir pra alguma questão, pra mim é o que importa.”

Texto: Rafaela Pelegrino

Foto: Thais Andressa