OS REGISTROS E AS HISTÓRIAS DA FOTÓGRAFA THAIS ANDRESSA

Uma história é marcada por diversos momentos e muitas vezes influenciada por coisas que aconteceram muito antes do seu início. A primeira fotografia reconhecida como tal foi feita na França em 1826, mas isso só foi possível devido a diversas descobertas anteriores. Com o tempo a fotografia evoluiu e se disseminou tanto que se tornou acessível para muita gente e para alguns mais que acessível, virou uma paixão e um projeto de carreira. Foi assim com Thais Andressa, natural de Nazareno – MG, que passou a ter contato com a fotografia a partir do curso de Comunicação Social – Jornalismo da UFSJ. Ela conta que sempre teve uma relação com o desenho, mas que era resistente à fotografia. Começou a se envolver com essa prática através da influência e apoio da professora e fotógrafa, Kátia Lombardi e do técnico do laboratório de processos fotográficos da universidade, Marcius Vinicius Barcelos. 

A fotografia de Thais Andressa em exposição no Centro Cultural UFSJ em São João del-Rei. Foto: Thais Andressa

Mesmo depois do primeiro contato, Thais só pôde se dedicar a fotografia com mais intensidade depois de dois anos do início da graduação, quando se mudou para São João del-Rei.  Ela ainda mantém uma ligação com o desenho, que acredita ter ajudado na composição de seu olhar, mas atualmente tem a fotografia como prioridade em sua vida, utilizando o desenho mais como uma forma de escape, para quando como ela mesma diz “precisa se encontrar”. Thais também mantém uma relação estreita com o teatro e a música, pois acredita que a proximidade com qualquer tipo de arte ajuda a desenvolver uma certa sensibilidade artística. Ela conta que até tentou aprender sobre música, mas que nessa área não deu tão certo como na fotografia. “Você não pode forçar que a arte surja, ela tem que vir espontaneamente”. Quando perguntada se fotografia depende mais de técnica ou talento natural, Thais diz acreditar em uma junção das duas coisas. Para ela, a dedicação tem muito mais valor no sucesso ou domínio da fotografia que o talento natural, mas admite que algumas pessoas têm uma predisposição que pode ser um agente facilitador para esse processo, como uma sensibilidade maior para determinados temas. Thais afirma também que o domínio da técnica garante maior autonomia ao fotógrafo. “A técnica é importante para se ir além do óbvio, por isso não deve ser desprezada”. Para alavancar sua carreira, tem focado em disputar editais e participar de concursos para se consolidar na parte mais artística da fotografia, no sentido de fazer parte de exposições. Mantém também um trabalho um pouco mais comercial, fazendo ensaios para gestantes, casais e outros. Como plano para o futuro, Thais pretende focar mais no fotojornalismo e acredita que para isso precisará estar em uma cidade maior, pois São João del-Rei lhe concedeu muitas oportunidades e abriu as portas para seu trabalho, mas chega uma hora que é preciso dar o próximo passo, se arriscar e tentar outros caminhos. 

Sombras como nós. Foto: Thais Andressa

Suas referências pessoais e na fotografia se misturam a todo momento, entre elas estão Francesca Wodman, Vivian Maier e Diane Arbus. Thais acredita no papel da fotografia como forma de testemunho, crítica e um meio de dar visibilidade a pessoas e questões que os padrões sociais muitas vezes tornam invisíveis. Para a fotógrafa, diante do cenário atual é necessário refletir sobre o que está acontecendo com o mercado fotográfico e o que ele está se tornando, é preciso que os fotógrafos além de somente produzir debatam o que está sendo feito da fotografia.

Texto: Kamila Amaral

Foto: Acervo pessoal/Thais Andressa