ESPETÁCULO “PASSOS” DISCUTE AS VIVÊNCIAS PESSOAIS PELO CAMINHAR

O 31° Inverno Cultural da UFSJ terá início em dois dias, quando acontece o cortejo de abertura, nesta edição, realizado no Fortim dos Emboabas, no sábado, 20, às 10h. A programação está recheada e uma das atrações do sexto dia de festival, 25, quinta-feira, será o espetáculo teatral PASSOS, de autoria do autor Júnio de Carvalho, às 18h, na Sala Preta do curso de teatro do Campus Tancredo Neves (CTan). A peça é gratuita, tem duração de 40 minutos e classificação de 12 anos. A lotação máxima é de 64 pessoas, haverá distribuição de fichas uma hora antes da apresentação.

Carvalho criou a peça para seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na graduação de Teatro da UFSJ. O ator faz parte também da recém criada Cia Mineira de Teatro formada em São João del-Rei e PASSOS é o primeiro trabalho deles. O grupo é composto ainda pelas artistas Lucimélia Romão e Priscila Natany. A encenação tem atuação, concepção e dramaturgia de Júnio de Carvalho; assistência de Direção e Sonoplastia de Matheus Corrêa; criação de Figurino e Cenografia do Estúdio Sapituca; Iluminação e arte gráfica de Priscila Natany; interlocução dramatúrgica de Camelia Amada e Matheus Corrêa; e orientação da Prof. Dra. Maria Clara Ferrér.

“PASSOS” é um reflexão para os questionamentos e enfrentamentos relacionados ao movimento cotidiano e cíclico da vida: aprender a andar, cair, levantar e seguir em frente.

A peça destaca e valoriza as raízes do artista, natural de Éloi Mendes, cidade no sul de Minas Gerais com aproximadamente 27 mil habitantes. Outro ponto marcante na vida do ator que influenciou no despertar da criação artistística da peça, foi o fato dele ter nascido com o pé esquerdo torto, o que exigia maior concentração no ato de andar. “A primeira inspiração veio em uma conversa com um amigo a partir da frase: ‘Caminhar não é uma tarefa fácil’. Locomovemos uma série de musculaturas, terminações nervosas, tendões, articulações e ossos para dar um passo. Geralmente, torna-se um ato automático e não nos damos conta de sua dimensão”, comenta.

A partir disso, a estruturação da encenação e da dramaturgia é construída por meio das relações com experimentações com os pés e dinâmicas de caminhadas. Segundo o intérprete, embora a obra vá por uma narração linear de uma história pessoal, ela suscita e provoca o espectador a pensar no tempo e em seus próprios passos. 

Sinopse

A peça se inicia com o ator realizando uma série de ações precisas que remetem ao crescimento e desenvolvimento do passo do ser humano. Tais como rastejar, empurrar, sustentar sobre quatro apoios, engatinhar, equilibrar, rolar, sentar, subir, pular, andar, correr até ficar completamente de pé e garantir tomada de consciência e lugar de fala. Nesse momento, o espectador é convidado a ser testemunha de sua história e é conduzido e provocado a suscitar memórias e a refletir sobre seus passos até o momento presente da peça, assim, proporcionando uma conversa direta com o espectador, num espaço de muita proximidade e cumplicidade.

A partir do momento que está de pé, estabelece uma dimensão política sobre a ação de andar. Desdobra múltiplos sentidos desse ato ao espectador até que, pela dilatação dos pés, é invadido e povoado por suas memórias e vozes internas. Caminha pela memória e segue em frente, de forma consciente. Resgate de memória em tempos que tentam apagar nosso passado.

O espetáculo tem os pés agindo como narradores dos acontecimentos, desde seus primeiros passos, das vezes em que andaram para trás ou quiseram ficar parados até suas corridas e saltos, ou seja, das possibilidades de se pensar em nossos passos.

Foto: Mar de Paula