São Tiago fecha agosto com portas abertas para proteção do Patrimônio

São Tiago encerra agosto com gosto de dever cumprido. É que durante todo esse mês, a memória da cidade foi salvaguardada e compartilhada com os mais jovens por meio da “6ª Jornada do Patrimônio Cultural de Minas Gerais”.

Na Terra dos Biscoitos, dois bens tombados pelo Município e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) ficaram abertos ao público durante todo o mês. O Passinho da Praça e a imagem original de São Tiago Maior.

Segundo o secretário Municipal de Administração, Flúvio Salomão Martins, a Jornada abriu as portas para que a comunidade pudesse conhecer, interagir e despertar o interesse pela preservação de obras que contam parte da história de São Tiago.

“Eles [os bens] revelam marcas deixadas por outras gerações de são-tiaguenses ao mesmo tempo em que se cruzam com nossas experiências contemporâneas. Destacá-los é uma forma de incentivar políticas públicas e engajar a sociedade civil para a salvaguarda de nosso patrimônio”, enfatiza Martins.

Salvaguarda que deve começar desde cedo. Estudantes de todo o município farão visitas guiadas às peças que integram a Jornada. O tema da educação patrimonial também foi destacado em sala de aula, estabelecendo um diálogo com a jornada.

Para a secretária Municipal de Educação, Maria da Conceição Silva Mata, um conteúdo que deve integrar o currículo de crianças e adolescentes.

“As pessoas devem começar desde cedo a entender o que é tombamento, valorização da educação patrimonial e de nossa cultura. Esses jovens são os responsáveis por continuarem preservando a memória que nos constitui enquanto comunidade”, afirma a secretária.

Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Tiago, Décio Jonas Coelho, reitera. Para ele, a Jornada cumpriu essa missão de transformar as pessoas em guardiões do patrimônio edificado ao longo do tempo.

“As sociedades não passam pela história sem deixar rastros. A Jornada desperta a necessidade de preservar bens que fazem parte do passado. Uma comunidade sem memória é uma comunidade sem história”, arremata Coelho.

Criada em 2009, a Jornada do Patrimônio Cultural de Minas Gerais se inspirou na experiência francesa das JournéesduPatrimoine. Em 2017, o tema do evento é “Outros olhares sobre o patrimônio cultural”, especialmente para aqueles de difícil acesso.

Bens
O Passinho da Praça é um dos sobreviventes de cinco obras que haviam em São Tiago para representar a Paixão de Cristo em seu caminho até a crucificação.

Cenário de fé para cerimônias da Semana Santa, a construção também guarda a cultura com elementos da estética barroca colonial misturadas às características arquitetônicas ecléticas.
Ainda existem outros dois Passos em São Tiago, o do Clube Magnatas e da Igreja de São Sebastião, mas é o da Praça que preserva as principais caraterísticas originais.

Ele foi construído pelo padre José Duque de Siqueira com apoio de doações da comunidade, no início do século 20. Em 2005, passou por reforma e recebeu uma imagem de Nossa Senhora da Piedade.

Outro bem da Jornada, a imagem de São Tiago Maior tem origem e autoria incertas. Mas, pela narrativa oral, ela viria do século 18, carregada em um pequeno oratório por dois irmãos espanhóis que teriam começado o povoamento local a partir de atividade aurífera na Fazenda das Gamelas e Várzea Grande.

A figura do apóstolo foi esculpida em 15 centímetros de madeira policromada. Apesar de repinturas e restaurações, acredita-se que no original prevaleciam os tons dourados. Até 2006, a peça ficava na recepção do Hospital, depois foi levada para outro local seguro e são raras as aparições em público.

A “6ª Jornada do Patrimônio Cultural de Minas Gerais” é uma realização do Iepha, Secretaria de Estado de Cultura e Administração Municipal. Tem apoio do Instituto Histórico e Geográfico de São Tiago, Paróquia de São Tiago Maior e Sant’Ana e Escolas Estaduais e Municipais.