A carne mais barata do mercado!

As redes sociais vêm se tornando cada vez mais populares e cada vez mais perigosas; casos de racismo e preconceito vêm se tornando mais frequentes e as pessoas se escondem atrás da tela do seu computador e do seu celular para propagar seu discurso de ódio.

Em pleno século XXI, eu me espanto cada vez mais com a quantidade de notícias sobre pessoas que sofreram algum tipo de ataque por serem negras; não consigo acreditar que, em um mundo tão globalizado, com tanto acesso a informação, ainda existam pessoas que discriminam outras apenas pela tonalidade da pele. Fico me perguntando se seria falta de estudo ou pura falta de caráter. Casos como o da jornalista Maju Coutinho e das atrizes Cris Viana, Tais Araújo e Sheron Menezes, ganharam destaque na mídia, porém eles não são casos isolados, várias pessoas sofrem diariamente com comentários racistas e pejorativos sem nenhum motivo aparente e não ganham destaque na mídia.

Infelizmente, a grande mídia brasileira só enxerga o negro sendo o “preto pobre favelado” dos noticiários policiais, o jovem negro que foi abordado com violência pela polícia, por estar dirigindo um carro esportivo à noite, quando voltava da faculdade, simplesmente por ser negro; ou a escola que exigiu das alunas que fossem de cabelo liso para um evento, passam despercebidos.

Um homem branco que usa um terno provavelmente é um advogado, um empresário; um homem negro usando terno é um segurança, motorista… Uma mulher branca com um vestido florido e um turbante é uma mulher da moda, uma mulher elegante; uma mulher negra com esta mesma roupa é uma “macumbeira”. Infelizmente o racismo esta intrínseco na sociedade brasileira e cabe a nós mudar essa situação, conscientizando os outros e a nós mesmos.

Devemos avaliar os políticos que estamos colocando no poder. Em pleno século XXI ter que ouvir discursos de ódio aos homossexuais, aos praticantes das religiões afro-brasileiras e as mulheres, sendo propagados na câmara dos deputados, e ver esses deputados sendo aclamados como ‘mitos’ e ‘heróis’, só me faz crer que estamos voltando aos tempos arcaicos da inquisição.

Não podemos permitir que o preconceito seja institucionalizado; a liberdade é parte fundamental de uma nação e cabe a nós cidadãos o dever de exigir que essa liberdade seja cumprida.

Parece utopia imaginar um país onde ninguém seja descriminado pela cor da pele, pela da pele, pela opção sexual religião ou qualquer outro fator, ou mesmo viver em uma nação que não veja com normalidade o preconceito que é cada vez mais vivo, porém, se cada um de nós fizer a sua parte, conseguiremos pôr fim ao preconceito, seja ele qual for. As grandes mudanças partem de pequenas pessoas com pequenas atitudes.

Salvem Bob Marley, Elza Soares, Amarildo Dias de Souza, Nelson Mandela, Martin Luther King Jr, Mano Brown e a todos os outros que combatem a sua maneira o preconceito contra a cor da pele, que em sua lutam nos mostram que o único caminho para a paz é a sabedoria, a palavra é a conscientização.

“A carne mais barata do mercado é a carne negra / Que fez e faz história
Segurando esse país no braço / O cabra aqui não se sente revoltado / Porque o revólver já está engatilhado / E o vingador é lento / Mas muito bem intencionado / E esse país / Vai deixando todo mundo preto/ E o cabelo esticado”. (Elza Soares).

Túlio Henrique é graduando em História pela UFSJ

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