Dá licença, eu sou DOUTOR!

No Brasil, os títulos
acadêmicos são cada vez mais desrespeitados ou utilizados de maneira ilegal. Só
é considerado doutor aquele que é formado em medicina, odontologia ou direito, aproveitando-se
de velhas tradições que datam da época do império e que ficaram presas no
imaginário popular.
 A tradição de tratar como doutor aquele que
tem um status social maior ou uma figura de maior importância local vem desde a
época do império, onde os senhores locais do interior do Brasil eram
normalmente advogados, médicos ou engenheiros e, com o passar dos anos, essa
tradição veio se modificando e, nos dias atuais, ainda continua enraizada na
sociedade.
 É importante dizer que, para se obter o título
de doutor, de fato, é preciso percorrer um longo caminho de estudos de, no
mínimo  4 anos dedicados à pesquisa e
essa pesquisa ainda é avaliada por uma banca acadêmica de, no mínimo cinco
outros doutores graduados na mesma área de pesquisa, isso sem contar os anos
dedicados ao mestrado e à graduação, ou seja, para ser doutor não é um caminho
fácil a ser percorrido. No entanto, mesmo com tanto esforço, os doutores, de
fato, são constantemente desrespeitados pela sociedade, principalmente aqueles
que alcançam o título de doutoramento na área de ciências sociais (História,
Sociologia, Filosofia, por exemplo.).
Doutor continua a ser o médico,
o dentista e o advogado, que ostentam, com orgulho, a marca de DOUTOR em seus
uniformes, consultórios e escritórios, porém, doutor é quem tem doutorado. Quem
não passou por todo esse processo é simplesmente bacharel em alguma área. O
problema maior é que muitos dos que ostentam o título, sem o possuir, usam
também para ‘oprimir’ as outras pessoas e encher de orgulho o seu ego, como se
titulação  fosse motivo para ser
desrespeitoso de alguma maneira, e acreditem, em Barroso tem bacharel em
medicina que exige ser tratado como doutor e trata com brutalidade seus
companheiros de trabalho.
É, amigos! A questão aqui é
conscientizar a todos que um título é algo muito maior do que uma tradição que
é utilizada para oprimir os outros e espalhar o preconceito entre as
profissões.
Quem faz graduação não é
doutor; doutor é um título, não um pronome de tratamento. Ser doutor é ter reconhecido
o trabalho de uma vida e não a graduação de poucos anos, independente da área
de atuação, e mesmo quem passou por todo o processo de doutoramento, não pode
usar esse título para destratar outras pessoas, afinal de contas, doutorado se
consegue na academia, após longos anos de pesquisa, mas caráter e humildade se
aprendem com a vida, e, infelizmente, mesmo depois de anos, tem gente que não
aprendeu.
Artigo de Opinião: Túlio Henrique, graduando em História pela UFSJ

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