A extinção dos valores e a simplificação do outro

PAPO AFIADO, COM TÚLIO HENRIQUE, ESTUDANTE DE HISTÓRIA DA UFSJ – UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI

Em meio a atual situação política do Brasil tenho percebido que não se pode mais conviver sem ser tachado de alguma maneira, quando o assunto é posição política. O que me leva a me questionar: Mas, afinal, o quem eu sou? É tanto julgamento, tanto rótulo, que eu já não sei mais quem sou. Se eu defendo alguma prática de algum movimento ligado à esquerda, sou tachado como comunista, socialista, petista… Da mesma forma que, se eu me manifesto a favor de alguma prática de um movimento da direita, sou tachado como coxinha, preconceituoso, racista, machista…

Afinal de contas, é impossível conviver em um mundo longe dos extremos, dos julgamentos vazios, da simplificação das coisas? Como se o mundo fosse simples e como se um lado estivesse completamente correto, como se, a partir do minuto em que tomamos uma posição, as coisas automaticamente começassem a melhorar, como se simplesmente ser a favor da distribuição igual dos recursos acabasse com a fome e a miséria, como se simplesmente liberar o porte de armas para todos acabasse com a violência. Parece, na verdade, que cada vez mais as pessoas esquecem que o que nos torna realmente iguais é o fato de sermos todos diferentes.

Aceitar opiniões diferentes é fundamental para se construir um país melhor, de fato. As pessoas estão colocando a sua crença acima do seu respeito. Cada vez mais vejo pessoas carregadas de opiniões e de certezas, porém vazias de respeito; pessoas que querem um país melhor, mas que não fazem nada para ajudar ao próximo. Falar todo mundo fala, agora fazer alguma coisa, pouca gente faz.

Enquanto a opinião for mais importante que o respeito, não chegaremos a lugar algum.

Imagem: http://economistax.blogspot.com.br/
 

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