Sem água, Cemig decide desligar Usina de Camargos

O reservatório da represa de Camargos, em Itutinga, chegou a um ponto tão baixo em seu nível, que a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) terá que tomar uma medida extrema: a usina será desligada a partir desta segunda-feira (3). A Hidrelétrica de Camargos está na bacia do rio Grande, responsável por 25% do abastecimento das regiões Sudeste e Centro-Oeste. Camargos é a primeira usina que deverá parar totalmente na região.

A usina de Camargos tem potência de 45 megawatts, ela foi construída na cabeceira do rio Grande. Seu lago é muito explorado por turistas e muitos bairros foram construídos em seu entorno. Na represa está situado o Camargos Iate Clube, destino de muitos barrosenses para pescarias, diversão e descanso.

O rio Grande tem mais 12 barragens construídas em seu curso, na região são três: Camargos, Hidrelétrica de Itutinga e Funil. O reservatório da Usina do Funil possui 34,71km² de extensão, armazena 258 milhões de metros cúbicos de água com lâmina d’água constante e atinge os municípios de Lavras, Perdões, Ijaci Bom Sucesso, Ibituruna, e Itumirim.
 
A decisão de desligar as turbinas de Camargos deve-se ao nível crítico do reservatório da hidrelétrica, que está com menos de 0,5% de sua capacidade máxima. Aquela hidrelétrica possui duas turbinas e já estava operando com apenas uma, devido à falta de água em seu reservatório, que atingiu seu nível mínimo. A vazão para jusante passará a ser liberada pela válvula de fundo, visando manter a perenização do rio e o abastecimento de cidades que dependem do reservatório, como Lavras e Perdões, por exemplo.

Outra usina que também está tendo problemas com a falta de água é a de Três Marias e, na última semana, sua capacidade foi mais uma vez reduzida, desta vez, de 140 m3/s para 120 m3/s. A decisão foi tomada na quarta-feira, dia 29, durante a 12ª reunião na sede da Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília, em consenso com técnicos do sistema elétrico nacional. Desde abril que a prática da redução vem sendo adotada devido à prolongada estiagem que assola Minas Gerais e a Região Sudeste.

No rio Grande, por exemplo, a estiagem é histórica. O rio, que nasce na cidade de Bocaina de Minas, segue seu curso sentido leste-oeste e divide os estados de Minas e São Paulo, até desaguar no rio Paraná e formar a conhecida Bacia do Paraná, até desaguar no oceano na Argentina. Em seu trajeto, antes de desaguar no rio Paraná, suas águas geram energia para mais 12 hidrelétricas, cujos reservatórios também sofrem com a escassez do liquido precioso. O reservatório de Furnas, por exemplo, que está entre os maiores do País, conhecido como “Mar de Minas” está atualmente com apenas 13% de sua capacidade de armazenamento.

Com informações do Jornal de Lavras. Imagens recebidas pela equipe do Primeira Página, via Whatsapp.

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